Daniel Jorge
A poesia faz a gente ver a vida de forma diferente, mesmo enfrentado tudo e todos.
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Aprendendo a silenciar

Certo dia me dei conta,
De onde tinha ido parar,
Numa escola de silêncio,
Para aprender silenciar.

A professora atenciosa,
Com simpatia me acolheu,
E olhando em meus olhos,
Mim revelou quem era eu.

Aceitei seu argumento,
Caí como jaca madura,
Por nunca ter encontrado,
Numa só pessoa tanta doçura.

Enfim, começou a aula,
E ela se pós a indicar,
As regras de convivência,
Que regem esse lugar.

Tudo em volta era silêncio,
Até no jeito de olhar,
E eu cá me perguntando,
Que horas que vai falar?

Queria ouvir sua voz,
O que passa em seu coração,
Queria saber se na aula,
Existe alguma exceção.

Lá se foi,
Dias, semanas, meses e ano...
E eu calado em meu canto...
Vivendo os meus desencantos.

Pobre alma penada,
Achou de se apaixonar,
Numa aula de silêncio,
Por quem estava a lhe ensinar...

Concentração não faltava,
Interesse também não,
E a danada correspondia,
A minha insinuação...

Tudo parecia certo,
No silêncio do olhar,
E eu ali confiante,
Num via a hora pra comemorar...

Por fim, o curso terminou,
Ufa, agora posso falar,
Vou dizer a professora,
O quanto é bom lhe amar.

Houve abraço, teve beijo,
Houve até declaração,
E um pedido inegável,
‘amor, num me esquece não’.

Acreditei, confiei,
E pela segunda vez caí...
Nos braços da professora,
Pessoa mais doce que conheci...

Algum tempo se passou,
E ela então resolveu,
Silenciar nosso amor,
Fazer de conta que esqueceu...

Como não aprendi a lição,
Quando estive a estudar,
Agora sozinho estou,
Aprendendo a silenciar...
Daniel Jorge
Enviado por Daniel Jorge em 18/07/2016
Alterado em 20/03/2017

Música: Silêncio no afeto - Oswaldo Montenegro

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