Daniel Jorge
A poesia faz a gente ver a vida de forma diferente, mesmo enfrentado tudo e todos.
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Na quarta – feira, dia 06 de março, teve inicio o tempo da Quaresma. Neste período de quarenta dias, somos chamados a dar uma pausa em nossa vida, e examinar calmamente o sentido da existência humana. E para colocar em prática, podemos seguir um roteiro recomendado pelo próprio Cristo. Trata-se da penitencia, o jejum e a caridade, ‘instrumentos’ eficazes para a verdadeira conversão.  Embora, tenha iniciado recordando o período quaresmal, não pretendo discorrer, propriamente, sobre o assunto. Quero, nessa ocasião, compartilhar com você um pouco de uma obra que faz muito bem a minha alma. E acredito, firmemente, que possa ser de grande utilidade para muitas almas sedentas de Deus. Estou me referido ao livro Imitação de Cristo.
 
OBRA
 
O livro Imitação de Cristo é de autoria do Padre Tomás de Kempis (1380-1471), e foi publicado pela Editora Vozes, no ano de 2015, tendo sua segunda impressão em maio de 2016.  Existem no Brasil, outras publicações deste livro, feitas pelas editoras: Ave Maria, Martin Claret, Paulinas, Ecclesiae, entre outras. Em síntese, o livro conduz o leitor a um itinerário de meditações, proporcionando uma imersão espiritual. Nessa imersão espiritual, o leitor consegue refletir profundamente atitudes, palavras e pensamentos, que por vezes, fogem a percepção cotidiana.  
 
ESTRUTURA
 
Esta edição tem 317 páginas, e, além do prefácio e das recomendações de uso, está dividida em quatro seções – (livros). Cada seção possui uma temática especifica. A primeira seção tem como tema: “Avisos úteis para vida espiritual”, e está subdividida em 25 capítulos. Estes capítulos podem ter de uma a cinco páginas. A segunda seção trata das “Exortações à vida interior”, e está subdividida em 12 capítulos. A terceira seção traz como tema: “Da consolação interior”, e está subdividida em 59 capítulos. Já a quarta seção traz em destaque o tema: “Do Sacramento do Altar”, e está subdividida em 18 capítulos. Na parte final tem o índice alfabético, onde são destacadas palavras chaves referente a cada reflexão proposta no livro.
 
CONTEÚDO
 
O primeiro capítulo da Imitação de Cristo, nos exorta a “desprezar todas as vaidades do mundo”. Nos capítulos seguintes somos chamados a refletir sobre a humildade, a verdade, a prudência, as Sagradas Escrituras, as afeições desordenadas, a excessiva familiaridade, a obediência e sujeição, conversas supérfluas, utilidade das adversidades, resistência às tentações, defeitos dos outros, vida monástica, Santos Padres, a solidão e o silêncio, a compunção do coração, a miséria humana, meditação da morte, as penas dos pecadores e tantas outras reflexões indispensáveis à vida do cristão. 
 
Logo na abertura da segunda seção, somos motivados a contemplar com atenção “a vida interior”. Essa motivação é proclamada com as seguintes palavras: “aprende a desprezar as coisas exteriores e entrega-te às interiores, e verás chegar a ti o Reino de Deus”. As páginas seguintes vão tratar sobre a humilde submissão, o homem bom e pacífico, a mente pura e a intenção simples, a alegria da boa consciência, o amor de Jesus, a amizade com Jesus, a privação da consolação, a graça de Deus, a cruz de Jesus, e conclui-se esta seção ressaltando a estrada real da santa cruz, onde afirma categoricamente que: “não há outro caminho para vida e para a verdadeira paz interior, senão o caminho da santa cruz e da contínua mortificação”.
 
Na terceira seção, somos exortados a perceber a “comunicação íntima de Cristo com a alma fiel”. Desta forma, os capítulos seguintes vão destacar a verdade que fala dentro de nós, a escuta atenta das palavras de Deus, os efeitos do amor divino, a prova do verdadeiro amor, a busca de Deus como fim último, a escola da paciência e a luta contra as concupiscências, a obediência e a humilde sujeição, o sofrimento das injúrias, a confissão da própria fraqueza, os inumeráveis benefícios de Deus, a curiosa inquietação da vida alheia, a firme paz do coração, a excelência da liberdade espiritual, as línguas maldizentes, a abnegação de si mesmo, os juízos dos homens, o desprezo da honra temporal, e tantas outras exortações. Ao término só resta à alma devota uma prece: “abençoai e santificai minha alma com a benção celestial para que seja vossa santa morada, o trono de vossa eterna glória, e nada se encontre nesse tempo da vossa divindade que possa ofender os olhos de vossa majestade”.
 
A última seção nos chama a escutar a “Voz de Cristo”. E ressalta as memoráveis palavras: “Tomai e comei, este é o meu corpo, que será entregue por vós; fazei isto em memória de mim”, (Lc 22,19). “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue fica em mim e eu nele”, (Jo 6,57). Nos próximos capítulos são tratados sobre a reverência ao receber Cristo, a bondade e a caridade de Deus, a utilidade da comunhão frequente, os que comungam devotamente, a dignidade do Sacramento, o exame de consciência e o propósito de emenda, a oblação de Cristo na cruz, a sagrada comunhão, e o preparar-se com diligência para a sagrada comunhão. Ha exemplo das seções anteriores, muitas outras reflexões são propostas nestas páginas. Portanto, esteja certo de uma coisa: “Deus não te engana; mas se engana quem demasiadamente confia em si mesmo”.
 
ANÁLISE
 
Entre os apreciadores desta obra, destacam-se o Conde de Afonso Celso ao afirmar: “da Imitação de Cristo já se tem dito tudo quanto é possível”. Nos seis séculos de existência uns dizem ser o quinto livro dos evangelhos, outros dizem que é o melhor tratado de moral cristã e tem aqueles que consideram o mais perfeito compêndio da vida espiritual. Para o Arcebispo-mártir Darboy, “depois da Bíblia que vem de Deus, é a Imitação de Cristo de todos os livros o mais admirável e popular; nenhum granjeou em tão alto grau a estimação dos homens, nenhum parece tão adaptado a todos os leitores”, garante Darboy. Estas declarações se confirmam a cada nova leitura, revelando que a Imitação de Cristo é um livro adequado para todos os tempos e todas as idades. É o tipo de leitura que deve está sempre ao alcance de nossa mão, nos permitindo saborear cada palavra, como se fossem as últimas de nossa vida.
 
De todos os capítulos lidos, fui marcado profundamente pela leitura do capítulo 54, que está na terceira seção e tem como tema: “Dos diversos movimentos da natureza e da graça”. Logo no primeiro paragrafo Jesus Cristo fala ao nosso coração: “Filho, observa com diligência os movimentos da natureza e da graça: pois são muito opostos uns aos outros e tão sutis que só a custo podem ser discernidos, mesmo por um homem espiritual e interiormente iluminado”. A partir deste ponto, o autor passa a descrever as características da natureza e da graça, apontando as consequências imprimidas na alma humana, quando se permite ser conduzida por uma ou por outra.  Para que tenha uma ideia aprofundada sobre o dilema entre a natureza e a graça, apresento a seguir uma breve síntese.
 
O autor começa afirmando que a natureza é astuta, e acrescenta: “a muitos atrai, enreda e engana, e não tem outra coisa em mira senão a si mesma”. Já a graça, “anda com simplicidade, evita a menor aparência do mal, não usa de enganos, e tudo faz puramente por Deus, no qual descansa como em seu último fim”. “A natureza tem horror à mortificação, não quer ser oprimida, nem vencida, nem sujeita, nem submeter-se voluntariamente a outrem”. Por sua vez, a graça, “aplica-se à mortificação própria, resiste à sensualidade, quer estar sujeita, deseja ser vencida e não quer usar da própria liberdade: gosta de estar sob a disciplina, não cobiça dominar sobre o outrem, mas quer viver, ficar e permanecer sempre debaixo da mão de Deus”.
 
E continua: “A natureza gosta de receber honras e homenagens; a graça, porém, refere fielmente a Deus toda honra e toda glória. A natureza aprecia a ociosidade e o bem-estar do corpo; a graça, porém, não pode estar ociosa e abraça com prazer o trabalho. A natureza cuida dos bens temporais, alegra-se por um lucro pequeno, entristece-se por um prejuízo e irrita-se com uma palavrinha injuriosa. A graça, porém, cuida das coisas eternas, não se apega às temporais, não se perturba com a sua perda, nem se ofende com palavras ásperas; porquanto pôs o seu tesouro e sua glória no céu onde nada perece”.
 
A natureza deseja saber segredos e ouvir, quer exibir-se em publico e experimentar muitas coisas pelos sentidos; deseja ser conhecida e fazer aquilo donde lhe resultem louvor e admiração. A graça, não cuida de novidades e curiosidades, porque tudo isso nasce da corrupção antiga, pois nada há de novo e estável sobre a terra. Ensina, pois, a refrear os sentidos, a evitar a vã complacência e ostentação, a ocultar humildemente o que provoque admiração e louvor, busca em todas as coisas e ciências proveito espiritual e a honra e glória de Deus”. 
 
AUTOR
 
Tomás de Kempis nasceu no ano de 1380, em Kempen, pequeno povoado da diocese de Koln, e seguiu, em 1391, o exemplo de seu irmão João, tomando o hábito dos regulares de Santo Agostinho, no Mosteiro de Santa Ana. Ele foi ordenado sacerdote em 1412, onde ocupou durante toda sua longa vida o cargo importante de mestre de noviços. Faleceu em 1471, na idade avançada de 91 anos, legando à posteridade, além da Imitação de Cristo, muitas outras obras ascéticas.
 
CONCLUSÃO
 
Acredito que esta demonstração tenha sido o suficiente para que se possa perceber, a dimensão do livro Imitação de Cristo. E o quando ele pode ser útil em nosso processo de conversão. Por isso, ao término desta singela descrição, sou persuadido a afirmar que as razões que me levaram a ler e recomendar este livro, fundamentam-se, na convicção de que Deus nos criou por amor e para o amor. Portanto, como filhos amados de Deus, somos chamados continuamente a imitar Jesus Cristo. E este, é sem dúvida alguma, o tempo propicio para ler e viver a Imitação de Cristo. 
Daniel Jorge
Enviado por Daniel Jorge em 08/03/2019
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