Daniel Jorge
A poesia faz a gente ver a vida de forma diferente, mesmo enfrentado tudo e todos.
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Teve início na segunda-feira, dia 22 de abril, a troca de parte do piso da Igreja Catedral Nossa Senhora dos Remédio em Picos. A execução da obra acontece após plebiscito realizado com 1.497 paroquianos. Desses, 1.167 foram a favor, 300 disseram ser contra e 30 se mostraram indiferentes a obra. Antes de abordar o assunto vale lembrar, que a primeira Igreja Matriz de Picos foi edificada no ano de 1871. Após 77 anos, houve o entendimento que a igreja já não suportava a quantidade de fiéis, e, portanto, precisava ser construído um novo templo no mesmo lugar. Na época, houve os que se posicionaram contrários a construção, mesmo assim, em outubro de 1948 teve início a obra da atual Matriz, que foi concluída 20 anos depois, em 1968. Faço esta síntese para me referir a um barulho que surgiu nas redes sociais, em defesa do antigo piso da Catedral. Não tenho pretensão de analisar o aspecto técnico da mudança. Primeiro, por não ser minha área. Segundo, pelo que tenho observado já existem algumas manifestações dessa natureza, tanto contra como a favor. Quero concentrar a minha análise no teor das manifestações, procurando estabelecer o que elas revelam do SER CATÓLICO.  
 
Para fundamentar a nossa análise, vamos acompanhar algumas das manifestações contrárias e favoráveis à obra. Estas manifestações foram realizadas nas redes sociais nos últimos dois dias. A compilação apresentada aqui contempla apenas uma pequena parte das declarações que tive acesso. Com isso, é possível afirmar que este pequeno recorte revela, seguramente, o todo do que está sendo dito sobre a troca do piso da Igreja Catedral de Picos. Devo acrescentar ainda, que mantive os textos em conformidade com a escrita dos respectivos autores em suas redes sociais. 
 
MANIFESTAÇÕES CONTRÁRIAS
 
Iniciamos com a internauta Concita Bezerra, que se diz triste e preocupada com a notícia que recebeu: "procurando meios de escrever diante uma notícia triste, triste pq tira a história de um povo, de uma cidade, a muito tempo em redes sociais cheguei a externar minha preocupação diante algo que parecia estar próximo de acontecer e aconteceu”. E acrescenta: “Picos minha cidade natal a muito tempo vem perdendo sua identidade,isso deve-se culpa não somente as autoridades públicas, mas tbm de todos que ali residem e acabam por deixar nossa história ser destruída, as autoridades por acabar deixando de lado as POLÍTICAS PÚBLICAS DE PROTEÇÃO AO PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL”, afirma. Expedita Bezerra complementa: “É horrível mesmo! Vejo cidades menores do que Picos, com o maior zelo pela sua História! Aqui, ao contrário, a cada dia, um pouco da nossa História é apagado! Que pena!”.
 
Alice Luisa Barros de Alencar ressalta seu protesto a partir dos seguintes questionamentos: “Que fieis? De qual comunidade? Houve consulta popular? Mostrem os votos! A quantidade... o percentual. Foi-se o tempo que o povo acatava as decisões do “alto clero”. A igreja é nossa! Chega de decisões empurradas a baixo da nossa goela. Primeiro ventiladores horríveis destruindo as paredes, depois adesivos no teto, diga-se de muito mal gosto. E agora teremos o que? Porcelanato? Triste pelo nossos antecepassados, como minha avó, que devem está se remoendo por terem seus esforços jogados fora como se fossem entulhos”. Para Diego Sá, a reforma da Catedral é “Muita falta de respeito com a nossa cidade, estão deixando nossa história ser destruída aos poucos, falta de responsabilidade das autoridades deixar de lado as Políticas de Proteção ao Patrimônio Histórico-Cultural”.
 
Iterlanes dos Anjos se mostra mais exaltado e afirma: “Picos como sempre com suas Aberrações ,isso é um Crime Cultural a Sociedade picoense ,Um Bispo que mal anda na igreja e que não Debate com a População manda troca o piso da Nosso Catedral,assim perdendo uma parte de sua História,será se ele já ouviu Falar em Restauração ? Será se ele já ouviu Falar em Patrimônio Histórico ? #VERGONHAbispo vc não representa a sociedade católica de Picos”. Andreia Gonçalves parece compartilhar do mesmo pensamento e acrescenta: “Esse bispo nunca me representou, suas homilias são bem claras o homem só fala em dinheiro, só retrata a grandeza, a posse do poder, amo a igreja, sou católica mais nunca que esse Bispo me representou e tenho certeza que a muitos servos da igreja tbm n representa, o que falta e coragem para essas pessoas abrir a boca e falar a verdade...Isso é só mais uma das muitas que virão...”.
 
Por sua vez, Anolásia Pires lamentou a retirada do piso: “Estou arrasa.. aquele piso "velho" era parte de minha história! Lamentável mesmo pois mostra que esqueceram os reais valores para Deus, ele nunca aprovaria pois nada mais eh do que luxo... Restaurar era o ideal.. hj moro em uma cidade cultural que tem orgulho e eh proibido a alteração do cenário cultural só eh permitido por lei que sejam feitas restaurações.. isso eh preservação de valores e levados culturais/ religiosos!”. Também existe um pôster atribuído ao arquiteto Rafael Rodrigues, que apresenta um vídeo e um texto com traços poéticos e forte apelo emocional: “A imponência da nossa catedral não está apenas na construção física da edificação. Cada pedra, tijolo e ladrilho assentado, cada vitral doado faz parte da nossa história. todos esses detalhes conversam entre si criando essa atmosfera fascinante de equilíbrio entre o belo e o inusitado e mais ainda , fala de uma história que harmoniza ao mesmo tempo o individual e coletivo no coração de cada um de nós!”, garante.
 
MANIFESTAÇÕES FAVORÁVEIS
 
Iniciamos com uma postagem de Gracinha Granja, onde logo no título ela afirma: “A missão do nosso pastor é difícil e sofrida”. E continua: "Só ele sabe o tamanho da pressão espiritual que enfrenta todo dia para liderar uma igreja saudável neste mundo perverso e de valores corrompidos. Existem pessoas lá fora que adorariam ver o seu pastor cair num deslize ou desistir de tudo. Tem até gente dentro do rebanho que a BÍblia Chama de lobos ferozes e que vive criando polemicas, distrações e resistência espiritual”, afirma. Ela adverte: “Não faça parte dessa lista!” e continua: “Costumamos criticar rapidamente quando julgamos algo de errado na igreja, mas qual foi a última vez que você elogiou seu pastor, seja na frente dele ou de outros? Você já agradeceu por alguma coisa que marcou a vida de sua paróquia ou de sua diocese? Já reconheceu publicamente uma atitude que impactou você? Todo ser humano precisa de encorajamento ... e seu pastor não é uma exceção " Pensemos nisso!”, conclui.
 
Comentando uma postagem de Gracinha Granja, Zélia Pinheiro afirma: “Gracinha estou acompanhando esta troca de piso. O mesmo aconteceu no Crato, houve análise do piso Pelo arquiteto especialista. O piso estava td remendado, gastos,sujos, sendo trocado por um similar.E ficou bonito.O tempo gasta tudo ,até nós. Imagine um piso. A beleza da catedral continua.Isto chama preservação do patrimônio”. Por sua vez, em resposta aos que diziam não saber do plebiscito, Karol Carvalho declara: “Gente, que estranho, eu nem moro em picos e sabia da votação. Falaram da votação numa missa que assisti quando estava de férias na cidade e segundo meus pais já estavam divulgando a votação a um tempo”.
 
A internauta Juliana Coelho também deixou o seu comentário sobre a troca do piso da Catedral de Picos. Ela afirma: “Na igreja existe pessoas que cuidam dela em todos os detalhes {...} eles nao fizeram a toa, pois com certeza antes disso segundo o Padre pensaram sim numa restauração, mas nao compensava, as coisas infelizmente não duram para sempre”. Juliana continua afirmando: “As pessoas da sociedade em geral criticam, mas muitas vezes nem pisam na igreja, nao participa de nada, não contribui, não paga dizimo, e fica criticando sem ao menos saber o porque. Ai vem arquitetos e etc, acionar o ministério público kkk. Isso ja foi decidido e resolvido. Tanto que o dinheiro da arrecadaçãodos festejos do ano passado tambem foi para isso”. E acrescenta para concluir: “As pessoas tem mania de opinar e criticar sobre tudo, sem ao menos saber o porque. É triste ter que mudar, mas antes dessa decisão, com certeza houve muitas conversas e pesquisas de quem cuida disso...com certeza nao foi a toa, nao deixará de ser um patrimônio da nossa cidade por conta disso...tem gente que nem vai lá, mas tem que falar”, finaliza.
 
Em visita ao município de Picos, o arquiteto e urbanista Tobias Bonk Machado declarou a imprensa local: “Estamos aqui há alguns dias fazendo uma análise não só do piso, mas de toda a estrutura da catedral. A arquitetura desta igreja aponta o estilo neogótico que passou por adequações. O piso de ladrilho hidráulico, que é muito bonito, está muito degradado, muito sujo, com diversos desnivelamentos e muitas peças quebradas, faltantes e trocadas. Durante reuniões falei que há sim a possiblidade de restaurar e de colocar um piso novo, essa decisão será tomada única exclusivamente pela comunidade de Picos, como técnico apenas falei das possibilidades de cada uma”, explicou Tobias Machado. E acrescentou: “Na minha visão de técnico e restaurador é não se fazer uma troca completa e sempre deixar registros e deixar testemunhos daquilo que foi o piso um dia. Esse é um papel que não cabe a mim e sim a população de Picos, o fato é que sabemos, que o piso não está em seu melhor estado”, afirma.
 
JUNTANDO OS PONTOS
 
Acredito que uma obra recém-publicada no Brasil, de autoria dos teólogos Scott Hahn e Benjamin Wiker, intitulada a Politização da Bíblia – As raízes do Método Histórico-Crítico e a secularização da Escritura, pode nos dizer muito sobre certos “católicos” diante de circunstancias como a que estamos vivendo atualmente em Picos. O livro relata com uma riqueza de detalhes e fontes a trajetória de católicos que na ânsia de corrigir certos equívocos que julgavam existir na Igreja, terminaram enfraquecendo-a e submetendo-a ao poder do Estado. Foram homens que desconsideraram todo bem que a Igreja já havia realizado, e ainda, o que poderia realizar. Foram homens que observaram apenas o que lhe interessavam, excluindo a possibilidade de ver o todo da Igreja. Foram homens que questionaram até a figura do papa como sucessor de Pedro. Mas, o que isso tem haver com essa polêmica em torno da troca do piso da Catedral de Picos?
 
Vejamos! O argumento central dos que se manifestam contra a execução da obra é que se a Catedral estivesse tombada como patrimônio histórico – cultural, o Pároco, mesmo estando em acordo com os fiéis, e por sua vez, mesmo tendo a concordância do bispo, jamais iriam poder fazer alguma alteração sem a autorização prévia de órgãos reguladores, que por vezes são totalmente indiferentes aos princípios fundamentais da fé cristã. Mas, como está expresso nos comentários, têm “católicos”, que defendem isso para a igreja que dizem fazer parte. Nesta perspectiva se amplia, o que os teólogos chamaram a Politização da Bíblia, e surge, como estamos a acompanhar, a Politização da Igreja, a Politização da Família etc. “Tudo no Estado, nada contra o Estado e nada fora do Estado”, frase atribuída ao fascista Benito Mussolini.
 
Outro fato que atesta na prática esse pensamento, foi à decisão do presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo Wellington Camarço, que disse a imprensa estadual que acionou o Ministério Público sobre a obra. Talvez não seja, mas se o Sr. Wellington Camarço for católico, deveria no mínimo se envergonhar da sua atitude. Mas, a consequência é que o Ministério Público, mediante a provocação feita, entrou no caso e emitiu uma notificação, assinada pela promotora Karine Araruna Chavier, recomendando a paralisação da obra no prazo de 24 horas. Segundo a recomendação, a paralisação se faz necessária para “ que seja constatado que estas respeitam o estabelecido na lei municipal n. 2866/2017 e, que não existem riscos a originalidade da igreja”.
 
Confesso que não sei quem é o vereador ou vereadora que apresentou este projeto de lei, mas, fica evidente, que mesmo inconscientemente, todo o parlamento picoense, contribuiu diretamente, não para preservação do patrimônio, mas para o ativismo de pessoas que indiferentes ao ser católico, fazem dessas normas estabelecidas campos de batalhas por questões que poderiam ser resolvidas por aqueles que realmente são comprometidos com os bens temporais da Santa Igreja Católica.
 
ANALISANDO OS COMENTÁRIOS
 
De forma secundária, porém, não menos grave, está evidente nas declarações os que questionam a representatividade e a autoridade do bispo. Por vezes, ultrapassam esses limites e chegam a escarnecerem do pastor que está à frente da Diocese de Picos. Com um olhar míope, e, portanto, seletivo, esbanjam grosserias, ignorância e desrespeito. Existem ainda aqueles que expressam um profundo sentimentalismo com o histórico – cultural, que, a meu ver, se concentrasse toda essa energia em Nosso Senhor Jesus Cristo e nos ensinamentos da Igreja, certamente seriam bons católicos e conduziriam muitas almas para o céu. Mas, como foi demonstrado, preferem ser alimentados pela indiferença. E assim, acreditam cegamente que estão exercendo o seu papel de cristão católico, quando, na verdade, estão se aventurando no abismo.
 
É possível afirmar, com certo grau de certeza, que muitos desses que se dizem católicos e que estão questionando a troca no piso da Catedral, jamais levantariam a voz, se alguém entendesse de fazer alguma mudança radical, por exemplo “na liturgia”, ou, se alguém entendesse de “flexibilizar os sacramentos”. E por que não levantariam a voz? Porque ainda estão na categoria de “católicos jujubas”. E o que é um “católico jujuba”? O Catequista define como: “aquele que relativiza e perverte a doutrina em nome de não desagradar nem ofender ninguém, e assim conduzem muitos para o caminho da perdição. Acham que as regras disciplinares da Igreja são bobagens, que podem ser dispensadas por qualquer motivo”. É, portanto, “o católico que prega um cristianismo docinho, mas que não tem sustança (como uma jujuba)”. Aplicando ao nosso caso especifico, trata-se do católico que renuncia a obediência as decisões da Igreja, mesmo, por vezes, sendo contrariado, para seguir cegamente as decisões e recomendações do Estado. Este é o “católico jujuba” de que falamos aqui.
 
CONCLUSÃO
 
A vida segue! Mais chegou a hora dos católicos de verdade e aqueles que desejam viver a virtude da obediência, utilizar-se de um dos bens mais preciosos ensinado pela Igreja Católica ao longo dos séculos – A ORAÇÃO. Reze pela nossa Igreja, reze pelo nosso bispo, reze pelos nossos padres, reze pelas nossas religiosas, reze pelos católicos que se sentem feridos na pessoa do seu pastor Diocesano. Rezem, pois quando somos superados em nossas palavras e ações, resta-nos apenas a providência Divina, que se encarregará mediante orações e o testemunho de vida, em conceder a resposta adequada no tempo oportuno. E se você é um “católico jujuba”, fique tranquilo. Seu caso é grave, mas tem jeito. Comece seu processo de conversão hoje mesmo! A VIDA DOS SANTOS é sem dúvida alguma a melhor opção para iniciar essa caminhada, que pode ser longa, mas renderá bons frutos para você e os que vivem ao seu redor.

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Foto: Informa Picos
Daniel Jorge
Enviado por Daniel Jorge em 24/04/2019
Alterado em 24/04/2019
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