Queria poder juntar teus cacos,
E também permitir que junte os meus,
Só que andamos desconfiados,
Dos tombos que a vida nos deu.
Sei o quanto é difícil mudar,
Deixar o nosso condicionamento,
Pois não temos nenhuma garantia,
Se será de paz ou de sofrimento.
Talvez, por isso,
Escolhemos continuar,
Com o caos organizado,
Que aprendemos a lidar.
Na prática, significa aparência,
Do que gostaríamos de ser,
Enquanto seguimos atolados,
Onde acostumamos a viver.
É nossa margem de segurança,
E ainda, nossa clandestinidade,
Ousar juntar nossos cacos,
Sem as máscaras da sociedade.
Tu és corpo, eu sou alma,
Tu busca agitação e eu a calma,
Parece contradição esse jeito de ser,
Mas tu nasceu pra mim e eu pra você.
Portanto, mãos a obra,
Tratemos logo de juntar,
Os cacos que nos tornamos,
Antes do inverno chegar.