Somente hoje é que me dei conta da natureza singular das emoções na existência e, portanto, nas experiências humana. A conclusão é surpreendente pela sua obviedade. Por certo, nem todos, talvez apenas uma minúscula parcela de pessoas conseguem, de fato, compreender essa singularidade.
Somos movidos pelas emoções, que trazem sabores e dissabores aos nossos dias. Claro, não estou a falar de comida, né! Me refiro as sensações agradáveis e desagradáveis que formam o mosaico da nossa experiência cotidiana.
Por parecerem tão comum, temos, por vezes, a percepção de que todos quando as experimentam, sentem igualmente, na mesma proporção. Mas, ao reservar um tempo para analisar a questão, é possível concluir que a coisa não é bem assim. Cada ser humano é portador de experiências únicas.
Para nos ajudar a compreender, vamos recorrer a três simples exemplos: veja, se alguém próximo diz estar com dor no braço. Mesmo que você já tenha vivido experiência semelhante, e logo, esteja sensibilizado, mesmo assim, jamais irá conseguir sentir o que essa pessoa sente naquele momento.
Agora pensemos em alguém a sorrir. Por mais que seu sorriso seja contagiante, jamais iremos reproduzir em nós a emoção que marca a pessoa que nos brindou com aquele sorriso. E nem ela vai conseguir, sentir as sensações que o seu riso provocou em nossa vida.
Vamos continuar pensando, e tomar como base a final de uma partida de futebol, que dizem ser a paixão número um do brasileiro. Durante a partida existe momentos de tensão, expectativas e finalmente, com aquele gol tão desejado, muita euforia, onde centenas, milhares, milhões explodem ao mesmo tempo.
E agora, será se a regra também se aplica a este caso? Vejamos, cada pessoa que está alí possue estilo de vida, experiências e tantos outros atributos que lhes conferem uma particularidade no seu jeito de ser e de sentir, logo é possível concluir que a intensidade ou não da emoção, acontece em tempos diferentes, considerando a essência de cada indivíduo.
Você pode aplicar este princípio as demais emoções, e a resposta virá sempre coroada com uma obviedade fascinante. A questão é que não encontramos uma definição exata para enquadrar dentro de uma experiência coletiva as mesmas sensações, pois cada pessoa, possuidora de um repertório próprio, tem o seu jeito único de sentir o que sente.
Portanto, podemos concluir que a emoção humana, por mais que seja partilhada, sempre vai ser uma experiência solitária. Seja na alegria ou na dor, cada pessoa vai viver e expressar uma emoção única. Neste sentido, não seria exagero afirmar que somos ilhas afetivas. E é exatamente por isso, que precisamos construir pontes, fundamentadas no respeito e na empatia. Se para o bom entendedor meia palavra basta, então, eu fico por aqui.