Daniel Jorge
A poesia faz a gente ver a vida de forma diferente, mesmo enfrentado tudo e todos.
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No capítulo VI, Roger Scruton coloca em evidência logo nos primeiros parágrafos a contradição que existe no pensar e no agir esquerdista. Scruton explica que “enquanto Marx, Engels e Lênin mostraram um enorme interesse no passado, eles foram inflexíveis ao afirmar que não estavam ligados a ele; seu anseio por ação alimentou-se de uma visão do futuro, e nada anterior ao futuro poderia sustentá-la”. Ele acrescenta que “as partes influentes da teoria marxista são aquelas que incendiaram a ira de Lênin, a quem toda destruição e toda violência são permitidas, em nome de um futuro matricial que nascerá somente em meio a tormentos”.
 
Conforme Scruton, “o socialismo britânico, que ocasionalmente apoiou o marxismo da boca para fora, repudia esta visão apocalíptica”. E continua: “ele está imbuído do sentimento nativo de que a fonte de legitimidade reside não à frente, senão atrás de nós”. Scruton acrescenta que, “toda ação política, toda inspiração social retira seu sentido de seus antecedentes, e quanto mais firmemente enraizados estão esses antecedentes na experiência histórica da comunidade, mais força eles têm de nos manter fiéis a eles”, - (Pág. 87).
 
Neste cenário do socialismo britânico destaca-se Raymond Williams, que embora se coloque como um marxista, suas raízes estão firmes no solo do socialismo inglês. Para Williams, "cultura" denota padrões de comunicação e as "estruturas de sentimento", que determinam a experiência da sociedade em todos os níveis. Assim, explica Scruton, “o propósito de Williams é retirar do estudo da cultura todas as tonalidades elitistas, toda sugestão de que cultura poderia ser um valor acessível a poucos. Na medida em que uma cultura define uma elite, nessa medida ela não é um valor”, - (Pág. 92).
 
Para Roger Scruton, “a relutância em ser circunspecto emerge como a maior falha nos últimos escritos de Williams”. Scruton explica que “como vários que investiram muito amor em um amigo imaginário, ele (Williams) recarrega sua emoção através do ódio ao inimigo imaginário. A classe mais baixa desaparece de sua visão, e as classes superiores emergem como o objeto principal de sua atenção”. E acrescenta: “em O Campo e a Cidade, um ressentimento efervescente e vingativo forma a premissa e a conclusão do argumento, conduzindo o leitor através de um dos estudos mais bidimensionais da literatura inglesa, que de forma alguma guarda os traços da respeitabilidade acadêmica”, - (Pág. 97).
 
De acordo com Scruton, “Williams representa seu ‘Ódio pela classe dominante como uma versão da repugnância pelo capitalismo’. Mas ainda que esconda de si mesmo, não consegue esconder do leitor o fato de que o capitalismo não prende sua atenção, nem o suficiente para inspirar o início da sua análise, e que sua hostilidade é dirigida indiscriminadamente aos que "têm", em nome dos que "não têm", não importando a ordem social prevalecente, ou a fonte de queixa”, - (Pág. 98).
 
Roger Scruton ainda acrescenta: “uma tal palavra é "revolução", que Williams aplica a toda transformação que ele aprova”. E explica: “em Tragédia Moderna ele exalta a "alternativa de vida" de nosso tempo, que consiste no "reconhecimento da revolução como uma ação completa dos homens vivos" – e a linguagem é característica”. Neste contexto afirma Scruton, “Williams não argumenta pela revolução, nem a descreve; antes, ele toma a palavra "revolução" e a modela em abstrações cativantes: é uma "ação completa" dos "homens vivos"”, - (Pág. 99).
 
Assim, explica Scruton, “a revolução torna-se agradável através de ideias associadas: o objetivo é desencorajar o pensamento, e elidir a fantasia. Revolução torna-se uma ideia essencialmente sedutora, mais que crítica”. Desta forma, Scruton revela o cerne da incessante busca de Williams: -“mas deve estar claro, antes de tudo, que é a revolução, e não a evolução, que buscamos”. Nesta perspectiva, Scruton conclui que, “em termos intelectuais, Williams comete, ao defender a "longa revolução", precisamente este crime - acreditar na revolução e não na evolução como um modelo social”.
 
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Daniel Jorge
Enviado por Daniel Jorge em 26/07/2018
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